Roraima registrou 158 mortes de bebês e crianças indígenas de até 4 anos em 2025, segundo o Relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, divulgado nesta quinta-feira (13) pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi). O estado teve o segundo maior número de óbitos do país, atrás apenas do Amazonas, com 306.

No Brasil, foram contabilizadas 1.024 mortes de crianças indígenas nessa faixa etária durante o ano passado, ante 922 em 2024. De acordo com o relatório, 586 desses óbitos, equivalentes a 57% do total, decorreram de causas consideradas evitáveis.

Entre as causas apontadas estão gripe e pneumonia, responsáveis por 104 mortes; doenças infecciosas intestinais, com 85 casos; e desnutrição, com 32.

O Cimi também registrou ocorrências de desassistência que envolvem saúde, educação e outros serviços públicos. Foram 121 casos relacionados à saúde, 111 à educação e 58 classificados como falta de assistência de forma geral.

Também foram contabilizadas 62 mortes por falta de atendimento em saúde e 14 registros relacionados ao consumo de álcool e outras drogas entre povos indígenas.

O relatório afirma que a precariedade de infraestrutura, a falta de profissionais e medicamentos e o acesso insuficiente à água potável e saneamento agravam as condições de saúde das comunidades.

A situação pode ser agravada ainda pela contaminação de cursos d’água utilizados pelos indígenas, inclusive por agrotóxicos e pelo mercúrio empregado em atividades de garimpo.

Roraima também lidera assassinatos

Além da mortalidade infantil, Roraima apresentou o maior número de assassinatos de indígenas no levantamento. Foram 82 mortes em 2025, contra 47 no Amazonas e 37 em Mato Grosso do Sul.

No total nacional, o Cimi contabilizou 258 assassinatos, acima dos 211 registrados em 2024.

O estado também teve 37 suicídios indígenas em 2025. Amazonas registrou 77 casos e Mato Grosso do Sul, 42. No país, foram 215 suicídios, contra 208 no ano anterior.

A maior parte dos suicídios ocorreu entre jovens: 41% dos casos envolveram indígenas de 20 a 29 anos e 34% pessoas de até 19 anos.

Violência e território

O relatório contabilizou ainda 1.276 casos de violência contra o patrimônio indígena em todo o país. Entre eles, 897 estavam relacionados à demora ou omissão na regularização de terras, 169 a conflitos por direitos territoriais e 210 a invasões, exploração ilegal de recursos naturais e outros danos.

O Cimi afirma que os indicadores de violência estão relacionados ao contexto de conflitos territoriais e à vulnerabilidade das comunidades indígenas.

Com informações da Agência Brasil