O Plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu abrir um novo processo administrativo disciplinar (PAD) contra o juiz Aluízio Ferreira Vieira, do Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR), e manter o afastamento do magistrado. A decisão foi tomada nesta terça-feira (26), durante a 8ª Sessão Ordinária de 2026.

As novas investigações são decorrentes da Operação Fullone, realizada pela Polícia Federal com autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A operação apura um suposto esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro.

Segundo o CNJ, o novo PAD investiga suspeitas envolvendo a empresa Olimpo Comércio e Serviços Ltda., ligada a serviços de lavanderia da rede pública de saúde de Roraima.

As apurações apontam que a empresa teria assumido os serviços entre maio e outubro de 2019 sem cobertura contratual. Os contratos somaram mais de R$ 1,5 milhão.

O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, afirmou que o magistrado determinou em julho de 2021 a transferência imediata de recursos do Fundo Estadual de Saúde para a empresa.

Na ocasião, Aluízio Ferreira Vieira era titular da 1ª Vara da Fazenda Pública de Boa Vista.

Segundo Campbell, a decisão foi tomada apesar de indícios de irregularidades e de uma decisão cautelar do Tribunal de Contas de Roraima (TCERR), que suspendia pagamentos relacionados ao contrato.

As investigações também identificaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com os rendimentos do juiz.

Durante o julgamento, o corregedor rejeitou a alegação da defesa de que os fatos já seriam investigados em outro processo disciplinar. Segundo ele, o procedimento anterior trata de decisões relacionadas a outras empresas, suposto conluio com advogado e exercício irregular de atividade agropecuária empresarial. O magistrado continuará afastado do cargo.