A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) inaugurou, nesta semana, a Base de Proteção Etnoambiental (Bape) Pakilapi, localizada na Comunidade Palimiú, às margens do rio Uraricoera, em Roraima.
A unidade integra a rede de vigilância territorial da Funai e apoiará operações conjuntas com órgãos de segurança pública e instituições federais, reforçando a presença do Estado em áreas de fronteira ambiental e territorial.
Participação de autoridades e associações
Estiveram presentes representantes da Funai, Casa de Governo de Roraima, Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (Dsei-Yanomami), Exército Brasileiro, além de associações indígenas como Hutukara, Seduume e Urihi.
A presidente da Funai, Joenia Wapichana, destacou a importância institucional da base.
“A estrutura reforça a segurança para que a Terra Indígena Yanomami se mantenha protegida, livre de invasões e com a presença permanente das equipes de fiscalização. É mais uma atividade de fortalecimento institucional da Funai”, afirmou.
Vigilância comunitária e histórica
Davi Kopenawa, presidente da Hutukara Associação Yanomami, afirmou que a base fortalece a proteção feita pelas próprias comunidades.
“Essa casa é muito importante para a proteção da nossa terra. Sem presença permanente, não há como vigiar e proteger o território. Este lugar é histórico e será lembrado. Nossos jovens terão aqui um espaço para continuar defendendo o nosso território”, disse.
Controle logístico e combate ao garimpo
A base funcionará como ponto permanente de controle fluvial, bloqueando rotas de abastecimento de estruturas ilegais de mineração. Também servirá de apoio logístico a aeronaves de asa rotativa em operações interinstitucionais de fiscalização e desintrusão.
Segundo Janete Carvalho, diretora de Proteção Territorial da Funai, a localização da Bape Pakilapi é estratégica.
“Desde 2023, com a retomada das ações de proteção na Terra Indígena Yanomami, a Funai tem investido em estratégias para combater o garimpo e a proteção territorial. A Bape Pakilapi se torna um ponto central para proteger a entrada do garimpo pelo rio Uraricoera. Essa iniciativa, em conjunto com as forças de segurança e demais órgãos governamentais, demonstra o esforço coletivo do governo brasileiro na proteção das terras indígenas”, disse.
Estrutura e capacidade operacional
A base possui alojamento para até 32 pessoas, entre servidores da Funai e agentes de órgãos parceiros, garantindo atuação contínua no território. O investimento foi de R$ 1,7 milhão. Polícia Federal, Força Nacional e Ibama atuarão na unidade, que foi projetada para operações em áreas remotas.
Nilton Tubino, diretor da Casa de Governo em Roraima, afirmou que a unidade reforça o controle territorial e contribui para a redução do garimpo. Junior Hekurari, presidente da Urihi Associação Yanomami, ressaltou que a base garante a presença do Estado no território.
Atendimento a decisões judiciais
A Bape Pakilapi atende às Arguições de Descumprimento de Preceitos Fundamentais (ADPFs) nº 709 e nº 991, determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A ADPF nº 709 prevê proteção à população Yanomami e ações de desintrusão em diversas terras indígenas, enquanto a ADPF nº 991 garante proteção integral de territórios com povos isolados ou de recente contato, incluindo os Yanomami.
