A Polícia Civil concluiu uma investigação que responsabiliza dois adolescentes de 16 anos por ato infracional análogo aos crimes de injúria racial e preconceito religioso praticados contra um estudante de 17 anos em uma escola estadual de Boa Vista. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (7).
O caso envolve perseguições, humilhações públicas e ataques discriminatórios ligados à religião de matriz africana professada pela vítima. A apuração começou após a família do estudante formalizar denúncia em outubro de 2025.
“Desde junho de 2025, esse adolescente vinha sendo alvo de perseguições reiteradas, até que, em outubro, as ofensas atingiram um nível de extrema gravidade, configurando claramente injúria racial com motivação religiosa. A equipe atuou de forma técnica e rigorosa para garantir a responsabilização dos envolvidos”, afirmou Leonardo Strunz, responsável pela Delegacia de Defesa da Infância e Juventude (DDIJ).
Um dos episódios investigados ocorreu em 10 de outubro de 2025 durante o intervalo escolar em uma unidade de ensino localizada no bairro Jóquei Clube, na zona oeste de Boa Vista.
De acordo com a investigação, os adolescentes utilizaram expressões como “Zé Pilintra” e “anticristo” para ridicularizar publicamente a religião da vítima.
A Polícia Civil informou que a conclusão do inquérito levou em consideração relatos de testemunhas, documentos escolares e registros produzidos ao longo do período de apuração.
“Não se tratava de um episódio isolado. Reunimos depoimentos testemunhais contundentes, relatórios pedagógicos, atas escolares e registros formais que comprovaram um histórico contínuo de bullying, discriminação e violência psicológica. A vítima estava emocionalmente abalada e já havia solicitado providências à escola por não suportar mais as agressões”, declarou Strunz.
Também foram analisados documentos produzidos pela orientação escolar e pelo conselho educacional, além do histórico disciplinar dos adolescentes investigados.
Segundo a Polícia Civil, um dos adolescentes apresentava recorrência em casos de indisciplina grave registrados pela escola.
“A investigação também mostrou que a escola adotou medidas administrativas, incluindo mediações e a transferência compulsória dos autores, colaborando integralmente com a Polícia Civil durante toda a apuração”, informou o delegado.
Com base na Lei nº 14.532/2023, que equiparou a injúria racial ao crime de racismo, tornando-o imprescritível e inafiançável, o procedimento foi encaminhado ao Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR), responsável pela definição das medidas socioeducativas cabíveis.
