{"id":4827,"date":"2025-03-05T17:00:00","date_gmt":"2025-03-05T21:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/amororaima.com.br\/?p=4827"},"modified":"2025-03-05T16:40:12","modified_gmt":"2025-03-05T20:40:12","slug":"garimpo-supera-area-de-mineracao-industrial-entre-2019-e-2022-terras-indigenas-em-roraima-e-para-concentram-90-da-atividade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amororaima.com.br\/index.php\/2025\/03\/05\/garimpo-supera-area-de-mineracao-industrial-entre-2019-e-2022-terras-indigenas-em-roraima-e-para-concentram-90-da-atividade\/","title":{"rendered":"Garimpo supera \u00e1rea de minera\u00e7\u00e3o industrial entre 2019 e 2022; terras ind\u00edgenas em Roraima e Par\u00e1 concentram 90% da atividade"},"content":{"rendered":"\n<p>O&nbsp;garimpo avan\u00e7ou&nbsp;mais do que a minera\u00e7\u00e3o industrial entre 2019 e 2022 no Brasil. A conclus\u00e3o \u00e9 de um estudo publicado por pesquisadores brasileiros na revista Nature. Mais de 91% da atividade garimpeira do pa\u00eds est\u00e1 concentrada na Amaz\u00f4nia. Segundo o mapeamento desenvolvido pelos pesquisadores, nas regi\u00f5es com cinco anos ou menos de atividade, 62% das \u00e1reas est\u00e3o dentro de&nbsp;terras ind\u00edgenas. Pela legisla\u00e7\u00e3o brasileira, elas deveriam ser protegidas desse tipo de interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, os povos Kayap\u00f3 e Munduruku, no Par\u00e1, e Yanomami, em Roraima, s\u00e3o&nbsp;os que mais sofrem em decorr\u00eancia do garimpo ilegal.&nbsp;Os territ\u00f3rios deles concentram 90% da minera\u00e7\u00e3o dentro de terras ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo de quatro anos, os pesquisadores tra\u00e7aram um panorama da atividade baseada na&nbsp;extra\u00e7\u00e3o de minerais no pa\u00eds, analisando imagens de sat\u00e9lite disponibilizadas gratuitamente pela Nasa.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores observaram que a \u00e1rea de&nbsp;garimpo&nbsp;aumentou 12 vezes, enquanto a minera\u00e7\u00e3o industrial cresceu cinco vezes no per\u00edodo de 2019 a 2022. Pelo menos 77% dos locais de garimpagem em 2022 mostraram sinais expl\u00edcitos de ilegalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Para se ter uma dimens\u00e3o do&nbsp;crescimento exponencial do garimpo no pa\u00eds, em 1985 a minera\u00e7\u00e3o industrial ocupava cerca de 360 km\u00b2, enquanto o garimpo cobria 218 km\u00b2. Em 2022, a atividade industrial alcan\u00e7ou uma \u00e1rea de 1.779 km\u00b2, enquanto o garimpo atingiu 2.627 km\u00b2.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2022, considerando a \u00e1rea minerada por garimpo, 77% (cerca de 2.022 quil\u00f4metros quadrados) apresentavam sinais expl\u00edcitos de ilegalidade e 15% ocorreram em \u00e1reas restritas, ou seja, terras ind\u00edgenas (TIs), Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o Integral (UCPIs), Reservas Particulares do Patrim\u00f4nio Natural (RPPNs) e Reservas Extrativistas (RESEXs).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Luiz Ferreira Neto, coautor da publica\u00e7\u00e3o, estudos pr\u00e9vios j\u00e1 indicavam que a&nbsp;atividade garimpeira&nbsp;ilegal vinha historicamente ultrapassando a minera\u00e7\u00e3o industrial, principalmente na&nbsp;Amaz\u00f4nia. Mas n\u00e3o havia at\u00e9 ent\u00e3o um mapeamento que demonstrasse esse avan\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Foi importante ver essa din\u00e2mica representada nos textos e poder confirmar com os mapas&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Povos ind\u00edgenas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O ge\u00f3grafo Arlesson Souza, que tamb\u00e9m foi um dos respons\u00e1veis pelo estudo publicado na Nature, afirma que os povos ind\u00edgenas sofrem uma press\u00e3o dupla.<\/p>\n\n\n\n<p>De um lado, ficam expostos a doen\u00e7as, com a contamina\u00e7\u00e3o dos rios por merc\u00fario e outras a\u00e7\u00f5es que alteram o modo de vida das comunidades tradicionais e sua rela\u00e7\u00e3o com o&nbsp;meio ambiente. Por outro, t\u00eam de conviver com uma rede de atividades ilegais que passa a adentrar a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Do ponto de vista do espa\u00e7o, o garimpo est\u00e1 atrelado a um emaranhado de problemas, como prostitui\u00e7\u00e3o, trabalho similar \u00e0 escravid\u00e3o e o avan\u00e7o das fac\u00e7\u00f5es criminosas. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 preocupante por todos esses processos, com impactos sociais e ligados \u00e0 natureza&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Formas da ilegalidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para mapear o avan\u00e7o do garimpo no Brasil, os pesquisadores utilizaram a plataforma Google Earth Engine e cole\u00e7\u00f5es de imagens do Landsat, um programa de sat\u00e9lites de observa\u00e7\u00e3o da Terra gerido pela Nasa, em parceria com o Servi\u00e7o Geol\u00f3gico dos Estados Unidos (USGS).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do processamento e filtragem das imagens, tamb\u00e9m houve o cruzamento do material com bases de dados brasileiras sobre a permiss\u00e3o de lavras garimpeiras, terras ind\u00edgenas e unidades de conserva\u00e7\u00e3o. Isso contribuiu para que a pesquisa identificasse \u00e1reas de atividade ilegal.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores detectaram algumas semelhan\u00e7as entre os espa\u00e7os de minera\u00e7\u00e3o fora da lei. Entre elas, est\u00e3o a&nbsp;destrui\u00e7\u00e3o de calhas de rios, eros\u00e3o na borda dos cursos d&#8217;\u00e1gua e a exist\u00eancia de &#8220;piscinas&#8221; para a separa\u00e7\u00e3o dos min\u00e9rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Em contrapartida, no ambiente industrial o que se viu foi uma atividade que considera a preocupa\u00e7\u00e3o com o entorno, apesar do&nbsp;impacto no meio ambiente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Na \u00e1rea industrial, existe controle de encostas. Se houve desmatamento, tem reposi\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o&#8221;, destaca Neto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mais fiscaliza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o social<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para Neto, esse salto do garimpo \u00e9 um indicador de que a&nbsp;fiscaliza\u00e7\u00e3o da atividade mineradora&nbsp;precisa melhorar no pa\u00eds. &#8220;Vemos que a minera\u00e7\u00e3o industrial \u00e9 muito mais est\u00e1vel no processo de crescimento, muito provavelmente por obedecer \u00e0s normas. O garimpo est\u00e1 muitas vezes em \u00e1reas de dif\u00edcil acesso, at\u00e9 para a fiscaliza\u00e7\u00e3o&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Souza, por sua vez, afirma que a atua\u00e7\u00e3o de agentes pol\u00edticos favor\u00e1veis \u00e0 minera\u00e7\u00e3o em terras ind\u00edgenas tamb\u00e9m \u00e9 um fator a ser considerado na avalia\u00e7\u00e3o desse cen\u00e1rio e das provid\u00eancias para revert\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 preciso uma maior movimenta\u00e7\u00e3o da sociedade para discutir essa realidade. Precisamos repensar a regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia n\u00e3o s\u00f3 como fornecedora de mat\u00e9ria-prima, mas tamb\u00e9m oferecer melhores condi\u00e7\u00f5es para a popula\u00e7\u00e3o que vive ali&#8221;, defende.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores pretendem lan\u00e7ar ainda em 2025 uma iniciativa de monitoramento di\u00e1rio do garimpo no Brasil. O projeto deve utilizar a metodologia desenvolvida no estudo publicado na Nature e ter entre os parceiros a organiza\u00e7\u00e3o MapBiomas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nem todo garimpo \u00e9 ilegal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a legisla\u00e7\u00e3o brasileira, para fazer a garimpagem, \u00e9 preciso ter uma permiss\u00e3o para lavra garimpeira (PLG), documento concedido pela Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (ANM).<\/p>\n\n\n\n<p>Procurada, a ag\u00eancia afirmou que uma s\u00e9rie de resolu\u00e7\u00f5es t\u00eam sido produzidas pelo \u00f3rg\u00e3o para orientar a minera\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, bem como conduzir a atividade para o cumprimento das boas pr\u00e1ticas legais, ambientais e sociais. H\u00e1 tamb\u00e9m o trabalho para aprimorar sistemas de alerta e den\u00fancia no combate \u00e0 ilegalidade, seja com a lavra n\u00e3o autorizada (ilegal) ou a possiblidade de lavagem de dinheiro ou o &#8220;esquentamento&#8221; do ouro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esfor\u00e7os do governo contra garimpo ilegal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em junho de 2024, no Dia do Meio Ambiente, a&nbsp;ministra Marina Silva, do Meio Ambiente e Mudan\u00e7a do Clima, destacou os esfor\u00e7os do governo no combate ao garimpo ilegal.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os dados apresentados pela ministra, as \u00e1reas abertas para minera\u00e7\u00e3o na Terra Ind\u00edgena Yanomami ca\u00edram 77% em rela\u00e7\u00e3o a 2022, e, no pa\u00eds, a redu\u00e7\u00e3o foi de 32% no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Com informa\u00e7\u00f5es da Folha de S. Paulo<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O&nbsp;garimpo avan\u00e7ou&nbsp;mais do que a minera\u00e7\u00e3o industrial entre 2019 e 2022 no Brasil. A conclus\u00e3o \u00e9 de um estudo publicado por pesquisadores brasileiros na revista Nature. Mais de 91% da atividade garimpeira do pa\u00eds est\u00e1 concentrada na Amaz\u00f4nia. 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