{"id":2972,"date":"2024-11-05T09:22:00","date_gmt":"2024-11-05T12:22:00","guid":{"rendered":"https:\/\/amororaima.com.br\/?p=2972"},"modified":"2024-11-05T10:23:21","modified_gmt":"2024-11-05T13:23:21","slug":"resultado-das-eleicoes-vai-definir-politica-externa-dos-estados-unidos-america-latina-e-china-devem-reavaliar-estrategia-diplomatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amororaima.com.br\/index.php\/2024\/11\/05\/resultado-das-eleicoes-vai-definir-politica-externa-dos-estados-unidos-america-latina-e-china-devem-reavaliar-estrategia-diplomatica\/","title":{"rendered":"Resultado das elei\u00e7\u00f5es vai definir pol\u00edtica externa dos Estados Unidos; Am\u00e9rica Latina e China devem reavaliar estrat\u00e9gia diplom\u00e1tica"},"content":{"rendered":"\n<p>Os reflexos da elei\u00e7\u00e3o, nesta ter\u00e7a-feira (5), que define quem ser\u00e1 o futuro presidente dos Estados Unidos (EUA) v\u00e3o muito al\u00e9m das fronteiras norte-americanas, tamanha influ\u00eancia que a maior pot\u00eancia militar do mundo tem no cen\u00e1rio externo.<\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas ouvidos pela&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil&nbsp;<\/strong>avaliam que ela n\u00e3o se restringe \u00e0s atuais \u00e1reas de conflito na Europa e no Oriente M\u00e9dio. Brasil, Am\u00e9rica Latina e China tamb\u00e9m aguardam ansiosamente o desfecho da disputa entre a democrata Kamala Harris, atual vice-presidente dos EUA, e o republicano Donald Trump, que presidiu o pa\u00eds de 2017 a 2021, para tra\u00e7ar, de forma mais precisa, seus planos estrat\u00e9gicos na rela\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3ximo governante norte-americano.<\/p>\n\n\n\n<p>Roberto Goulart Menezes, pesquisador do Instituto Nacional de Estudos sobre os EUA (Ineu) e professor do Instituto de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), explica que, para o Brasil, efeitos mais significativos poder\u00e3o ocorrer caso o vencedor das elei\u00e7\u00f5es seja o republicano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Risco Trump<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTrump, se eleito, ser\u00e1 um presidente de extrema direita que tender\u00e1 a refor\u00e7ar la\u00e7os e v\u00ednculos com a extrema direita de pa\u00edses latino-americanos. Algo preocupante, pois n\u00e3o ocorre h\u00e1 uns 15 anos, \u00e9 o risco de ele promover, na regi\u00e3o, candidaturas contr\u00e1rias \u00e0 democracia, tanto na Am\u00e9rica do Sul como na Am\u00e9rica Latina em geral\u201d, disse o pesquisador, que tem doutorado em ci\u00eancia pol\u00edtica pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n\n\n\n<p>Professor do Departamento de Hist\u00f3ria da UnB, Virg\u00edlio Caixeta Arraes avalia que, independentemente de quem vencer a elei\u00e7\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o com o Brasil ser\u00e1 a mesma.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTeremos import\u00e2ncia secund\u00e1ria para os EUA. Com exce\u00e7\u00e3o de poucos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e Caribe, como M\u00e9xico, Venezuela, Col\u00f4mbia ou Cuba, por motivos diferentes, a aten\u00e7\u00e3o de Washington para a regi\u00e3o \u00e9 menor que a de outras localidades do planeta, como o Oriente M\u00e9dio ou o Sudeste Asi\u00e1tico.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>China<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para Goulart Menezes, do Instituto Nacional de Estudos sobre os EUA, \u00e9 poss\u00edvel que os Estados Unidos fa\u00e7am maior press\u00e3o nos pa\u00edses portu\u00e1rios da Am\u00e9rica do Sul, a fim de dificultar a entrada de produtos chineses e, consequentemente, a amplia\u00e7\u00e3o da influ\u00eancia pol\u00edtica chinesa na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A tend\u00eancia \u00e9 que, independentemente de quem for o vencedor, seja mantida a pol\u00edtica de press\u00e3o sobre a China, disse o professor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNesse sentido, diante dos avan\u00e7os da China na Am\u00e9rica Latina e, em especial, na Am\u00e9rica do Sul, os EUA t\u00eam considerado arriscada a presen\u00e7a daquela pot\u00eancia na regi\u00e3o. Portanto, tender\u00e1 a fazer press\u00e3o em pa\u00edses portu\u00e1rios como Brasil e Peru, na tentativa de afastar os chineses comercial e politicamente\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ret\u00f3rica da seguran\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Goulart Menezes, todas essas quest\u00f5es \u2013 econ\u00f4mica, comercial, pol\u00edtica e at\u00e9 mesmo ambiental \u2013 resumem-se \u00e0 mesma tese argumentativa, por parte dos norte-americanos: riscos \u00e0 pr\u00f3pria seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO tema que mais mobiliza os EUA ainda \u00e9 o da seguran\u00e7a. At\u00e9 porque eles costumam pegar temas que nada t\u00eam a ver com seguran\u00e7a e tratam de criar uma associa\u00e7\u00e3o. \u00c9 o caso, por exemplo, da migra\u00e7\u00e3o e das drogas. Ao abordarem os temas dessa forma, os EUA sempre responsabilizam outros governos e, de alguma forma, dizem que implicam riscos \u00e0 seguran\u00e7a do pa\u00eds\u201d, argumentou Menezes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo caso da rela\u00e7\u00e3o com o Brasil, que tem como tema-chave de suas pol\u00edticas a quest\u00e3o ambiental, essa tamb\u00e9m vira uma quest\u00e3o de seguran\u00e7a. Se Trump vencer, retomar\u00e1 a ret\u00f3rica negacionista, associando a pauta ambiental \u00e0 economia. Portanto, de seguran\u00e7a para os EUA. Veja bem: ele [Trump] n\u00e3o trata o tema ambiental como uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia ou de crise clim\u00e1tica, mas como meio para aumentar o potencial econ\u00f4mico dos EUA\u201d, acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do historiador Caixeta Arraes, a China \u00e9 uma pedra no sapato dos EUA. A forma de lidar com a situa\u00e7\u00e3o, tanto da candidata democrata Kamala quanto do republicano Trump, \u00e9 uma quest\u00e3o de intensidade a ser aplicada em cada situa\u00e7\u00e3o a ser enfrentada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom a China, apesar de os dois pa\u00edses vivenciarem meio s\u00e9culo de aproxima\u00e7\u00e3o, o quadro n\u00e3o \u00e9 animador porque o avan\u00e7o de Pequim no mercado internacional e na geopol\u00edtica regional incomodam Washington, haja vista aliados como T\u00f3quio, ou Seul, ou Taip\u00e9, por exemplo\u201d, disse o historiador.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cContudo, nenhum dos dois partidos tem de fato pol\u00edtica efetiva de conten\u00e7\u00e3o ao crescimento da China. Ora apela-se a direitos humanos, ora \u00e0 quest\u00e3o ambiental, ou ainda a regras comerciais internacionais, ou ent\u00e3o \u00e0 tens\u00e3o militar. A diferen\u00e7a entre os dois partidos \u00e9 na calibragem dos componentes do poderio \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o\u201d, disse o historiador.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guerras<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dois conflitos chamam de forma mais intensa a aten\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica externa estadunidense: o de Israel, parceiro estrat\u00e9gico dos EUA, contra a Palestina e contra o L\u00edbano; e aquele entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo Oriente M\u00e9dio, a pol\u00edtica dos EUA \u00e9 uma pol\u00edtica de Estado. N\u00e3o de governo. Portanto, n\u00e3o se alterar\u00e1 nenhuma linha geral, a despeito do partido pol\u00edtico vencedor\u201d, destacou Caixeta Arraes.<\/p>\n\n\n\n<p>Opini\u00e3o semelhante sobre o conflito no Oriente M\u00e9dio tem Goulart Menezes. Segundo o pesquisador, com rela\u00e7\u00e3o a esse conflito n\u00e3o h\u00e1 nenhuma diferen\u00e7a entre Republicanos e Democratas. \u201cO apoio norte-americano a Israel \u00e9 incondicional\u201d, enfatizou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm maio de 1948, Israel se declara Estado. Os Estados Unidos, de imediato, reconhecem. Desde ent\u00e3o, os palestinos foram perdendo territ\u00f3rios. N\u00e3o falo isso de um ponto de vista ideol\u00f3gico. Basta comparar os mapas da \u00e9poca e o de agora\u201d, disse o professor.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele explicou que, atualmente, o que h\u00e1 de diferente \u00e9 o fato de Israel viver um momento em que sua margem de autonomia em rela\u00e7\u00e3o aos EUA est\u00e1 maior. \u201cIsrael sempre foi dependente de fornecimento de armas vindas dos EUA. Ao dar esse apoio, os EUA conseguiam direcionar certas a\u00e7\u00f5es de Israel. Atualmente, eles ainda t\u00eam alguma r\u00e9dea, mas em parte, ela n\u00e3o tem mais efeito\u201d, disse Menezes.<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador acrescentou que essa perda, ainda que sutil, de influ\u00eancia sobre as a\u00e7\u00f5es militares de seu parceiro estrat\u00e9gico \u00e9 percebida, inclusive, em meio \u00e0s amea\u00e7as dos EUA de suspender a ajuda em caso de ataque de Israel a civis palestinos e libaneses.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVemos que, mesmo assim, as tropas israelenses continuam fazendo seus ataques, e que o apoio dos EUA no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU [Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas] se mant\u00e9m.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Menezes citou como exemplo o veto norte-americano \u00e0 proposta de paz apresentada pelo Brasil para o conflito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi uma proposta muito boa que, inclusive, recebeu sinal de apoio da Inglaterra e da Fran\u00e7a, ainda que na forma de absten\u00e7\u00e3o. O que vemos \u00e9 os EUA continuando a enviar armas e dinheiro para apoio militar a Israel. Apoio este que se deve \u00e0 rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica entre os dois pa\u00edses, bem como ao&nbsp;<em>lobby<\/em>&nbsp;israelense na pol\u00edtica e nas elei\u00e7\u00f5es norte-americanas. Vale lembrar que \u00e9 bem forte a presen\u00e7a de judeus de diversas nacionalidades no sistema financeiro\u201d, explicou Menezes.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, portanto, \u201ccerta press\u00e3o por meio do poder econ\u00f4mico\u201d, acrescentou o professor, ao lembrar que, por outro lado, h\u00e1 tamb\u00e9m muitos judeus, tanto nos EUA como em outros pa\u00edses, com posicionamento cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 postura de Israel neste e em outros conflitos. \u201cEssa press\u00e3o est\u00e1 cada vez maior nos EUA\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>R\u00fassia x Ucr\u00e2nia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia, as expectativas s\u00e3o diferentes entre republicanos e democratas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCaso Trump retorne \u00e0 Casa Branca, a pol\u00edtica externa poder\u00e1 mudar no leste da Europa. O aspirante republicano disse que, caso ven\u00e7a, vai reduzir de maneira gradativa o socorro financeiro e militar e, por conseguinte, a inclina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Em caso de vit\u00f3ria da democrata, o apoio \u00e0 Ucr\u00e2nia mant\u00e9m-se\u201d, afirmou Caixeta Arraes.<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Menezes, caso Trump ven\u00e7a a disputa, a postura do republicano nesse conflito ser\u00e1 oposta \u00e0 dos democratas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEle j\u00e1 acenou com a retirada de apoio \u00e0 Ucr\u00e2nia. N\u00e3o sabemos se ela ser\u00e1 gradual ou abrupta, mas sabemos que, com isso, a guerra tomar\u00e1 outro curso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Com informa\u00e7\u00f5es da Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os reflexos da elei\u00e7\u00e3o, nesta ter\u00e7a-feira (5), que define quem ser\u00e1 o futuro presidente dos Estados Unidos (EUA) v\u00e3o muito al\u00e9m das fronteiras norte-americanas, tamanha influ\u00eancia que a maior pot\u00eancia militar do mundo tem no cen\u00e1rio externo. 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