{"id":2940,"date":"2024-11-02T13:30:00","date_gmt":"2024-11-02T16:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/amororaima.com.br\/?p=2940"},"modified":"2024-11-01T21:35:38","modified_gmt":"2024-11-02T00:35:38","slug":"estudo-da-wwf-brasil-indica-grande-risco-de-contaminacao-por-mercurio-em-quatro-rios-e-afluentes-do-territorio-yanomami-em-roraima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amororaima.com.br\/index.php\/2024\/11\/02\/estudo-da-wwf-brasil-indica-grande-risco-de-contaminacao-por-mercurio-em-quatro-rios-e-afluentes-do-territorio-yanomami-em-roraima\/","title":{"rendered":"Estudo da WWF-Brasil indica \u2018grande risco de contamina\u00e7\u00e3o\u2019 por merc\u00fario em quatro rios e afluentes do territ\u00f3rio Yanomami em Roraima"},"content":{"rendered":"\n<p>A partir de uma modelagem que projeta a distribui\u00e7\u00e3o e bioacumula\u00e7\u00e3o de merc\u00fario nos rios, estudiosos apontam que sub-bacias dos rios Tapaj\u00f3s, Xingu, Mucaja\u00ed e Uraricoera, que abrigam territ\u00f3rios ind\u00edgenas sob amea\u00e7a do garimpo ilegal, apresentam um grande risco de contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario acima dos n\u00edveis considerados seguros. As concentra\u00e7\u00f5es de merc\u00fario seriam mais baixas nas cabeceiras e aumentariam progressivamente ao longo do curso dos rios. Em todas as bacias analisadas, os principais cursos d&#8217;\u00e1gua e os rios mais longos possuem um maior potencial de bioacumula\u00e7\u00e3o de merc\u00fario.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo de modelagem foi realizado para os rios da bacia Tapaj\u00f3s &#8211; que abrangem os estados do Par\u00e1, Mato Grosso e Amazonas; bacia do Xingu, que banha os estados do Par\u00e1 e Mato Grosso; e a bacia do Mucaja\u00ed e Uraricoera, presente em Roraima, utilizando um modelo probabil\u00edstico desenvolvido pela Ag\u00eancia Ambiental Americana (US EPA).<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise das sub-bacias em rela\u00e7\u00e3o aos limites m\u00e1ximos de merc\u00fario estabelecidos pela legisla\u00e7\u00e3o brasileira revelou a probabilidade de uma alta taxa de n\u00e3o conformidade. Os resultados destacam um risco extremamente alto de contamina\u00e7\u00e3o para homens e mulheres em mais de 50% das sub-bacias analisadas e n\u00fameros alarmantes para as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e ribeirinhas, que est\u00e3o mais pr\u00f3ximas dos focos de contamina\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Das 3.791 sub-bacias do Tapaj\u00f3s, por exemplo, mais da metade (51,77%) n\u00e3o estaria em conformidade com a legisla\u00e7\u00e3o ambiental brasileira. Uma an\u00e1lise mais detalhada revela uma maior inadequa\u00e7\u00e3o nas subunidades da Bacia do Baixo Teles Pires, Rio Apiac\u00e1s e Alto e M\u00e9dio Teles Pires, todas com porcentagens acima de 59%.<\/p>\n\n\n\n<p>Como homens tendem a consumir mais peixes do que mulheres, as \u00e1reas de risco s\u00e3o muito altas para eles (49,4%), bem maior que a taxa para mulheres (45,1%). Esse percentual \u00e9 ainda maior para popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, que t\u00eam nos peixes a principal fonte de ingest\u00e3o de prote\u00edna: para eles, 49,6% das sub-bacias s\u00e3o consideradas territ\u00f3rios de risco muito alto.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Vitor Domingues, analista ambiental e um dos pesquisadores respons\u00e1veis pelo estudo, &#8220;um dos grandes desafios de se estudar a Amaz\u00f4nia \u00e9 a escassez de dados amostrais. O estudo de modelagem ajuda a enfrentar esse desafio, contribuindo com o entendimento da din\u00e2mica do merc\u00fario em um bioma t\u00e3o complexo e sens\u00edvel atrav\u00e9s de outras fontes de informa\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise foi&nbsp;publicada na revista cient\u00edfica Toxics, em agosto deste ano, e oferece bases cient\u00edficas para planejar e implementar interven\u00e7\u00f5es eficazes nas regi\u00f5es afetadas pela contamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA pesquisa ressalta a import\u00e2ncia de uma abordagem integrada para monitorar e mitigar os impactos do garimpo de ouro e de outras atividades que afetam a qualidade da \u00e1gua na Amaz\u00f4nia. \u00c9 essencial considerar as complexidades dos ecossistemas e das popula\u00e7\u00f5es locais e avaliar cuidadosamente as implica\u00e7\u00f5es ambientais e sociais desses&nbsp;projetos, especialmente em regi\u00f5es j\u00e1 afetadas pela polui\u00e7\u00e3o por merc\u00fario\u201d, afirma Marcelo Oliveira, especialista em Conserva\u00e7\u00e3o do WWF-Brasil.&nbsp;&nbsp;<br><br>\u201cO estudo evidencia como a polui\u00e7\u00e3o por merc\u00fario est\u00e1 intrinsecamente ligada tanto \u00e0s atividades de minera\u00e7\u00e3o quanto \u00e0s caracter\u00edsticas dos ecossistemas aqu\u00e1ticos. As \u00e1reas alag\u00e1veis e outros elementos desempenham pap\u00e9is cruciais na amplia\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de metilmerc\u00fario. Assim, a crescente constru\u00e7\u00e3o de infraestruturas, como reservat\u00f3rios para hidrel\u00e9tricas, pode potencialmente intensificar o problema, uma vez que essas estruturas podem aumentar a \u00e1rea de ambientes favor\u00e1veis \u00e0 metila\u00e7\u00e3o do merc\u00fario\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bacias do Uraricoera e Mucaja\u00ed<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apresentam valores acima de 0,31 \u00b5g g-1 para peixes n\u00e3o-pisc\u00edvoros e 1,79 \u00b5g g-1 para peixes pisc\u00edvoros em v\u00e1rias sub-bacias. Al\u00e9m dos rios principais, destacam-se os rios Parima, Urarica\u00e1 e Amajari, e afluentes como Auaris, Trair\u00e3o e Ereu na bacia do Rio Uraricoera.<\/p>\n\n\n\n<p>Na bacia do Rio Mucaja\u00ed, al\u00e9m do Rio Apia\u00fa, o Rio Couto de Magalh\u00e3es tamb\u00e9m demonstra alto potencial de bioacumula\u00e7\u00e3o. Na Bacia do Rio Uraricoera, os resultados ressaltam a import\u00e2ncia das \u00e1reas alag\u00e1veis nos processos de metila\u00e7\u00e3o de merc\u00fario e na sua bioacumula\u00e7\u00e3o em peixes.<\/p>\n\n\n\n<p>A din\u00e2mica de transforma\u00e7\u00e3o, especialmente na \u00e1rea alag\u00e1vel conhecida como lavrado, pode ter influenciado fortemente as proje\u00e7\u00f5es de contamina\u00e7\u00e3o no nordeste da bacia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Das 540 sub-bacias analisadas, uma m\u00e9dia de 56,7% n\u00e3o atenderia aos padr\u00f5es estabelecidos na legisla\u00e7\u00e3o ambiental brasileira. Na bacia do Uraricoera, esse n\u00famero chegou a 57,87%, enquanto na do Mucaja\u00ed foi de 53,94%. Esses resultados indicam uma preocupante preval\u00eancia de contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario, com implica\u00e7\u00f5es diretas para as comunidades que dependem da pesca como fonte de subsist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para as popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas, todas as sub-bacias representam alto risco para as mulheres. J\u00e1 50,2% das unidades representam risco muito alto para homens. Os resultados tamb\u00e9m s\u00e3o alarmantes para popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, com 51,1% das sub-bacias classificadas como risco muito alto para mulheres e 53,7% para homens.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bacia do Tapaj\u00f3s<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apresenta valores de contamina\u00e7\u00e3o acima de 0,36 \u00b5g g-1 para peixes n\u00e3o-pisc\u00edvoros e 6,46 \u00b5g g-1 para peixes pisc\u00edvoros em v\u00e1rias sub-bacias. De acordo com a Resolu\u00e7\u00e3o RDC Anvisa 42, de 29 de agosto de 2013, os limites m\u00e1ximos de merc\u00fario em peixes n\u00e3o pisc\u00edvoros \u00e9 de 0,5 mg kg-1, enquanto para peixes predadores, o limite \u00e9 de 1,0 mg kg-1.&nbsp;<br>O sudoeste da Macrobacia do Juruena, que inclui o Rio Camarar\u00e9 e seus afluentes, apresenta muitas sub-bacias com proje\u00e7\u00f5es elevadas de contamina\u00e7\u00e3o, o que pode ser explicado pela presen\u00e7a de \u00e1reas alagadi\u00e7as que est\u00e3o associadas a um maior potencial de bioacumula\u00e7\u00e3o de merc\u00fario, mesmo em \u00e1reas com presen\u00e7a limitada de garimpos, como o Alto Juruena.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 as melhores condi\u00e7\u00f5es foram projetadas a montante da Bacia do Alto Tapaj\u00f3s, onde h\u00e1 presen\u00e7a predominante de cursos h\u00eddricos de menor ordem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bacia do Xingu<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de uma menor presen\u00e7a de garimpo, a bacia do Xingu tamb\u00e9m apresenta n\u00edveis preocupantes de bioacumula\u00e7\u00e3o de merc\u00fario em peixes. A emiss\u00e3o de vapores met\u00e1licos pode ser um fator importante na din\u00e2mica da contamina\u00e7\u00e3o. Nesta bacia, os valores de contamina\u00e7\u00e3o est\u00e3o acima de 0,092 \u00b5g g-1 para peixes n\u00e3o-pisc\u00edvoros e 0,7017 \u00b5g g-1 para peixes pisc\u00edvoros em v\u00e1rias sub-bacias.&nbsp;<br>As sub-bacias na Macrobacia do Rio Fresco e Macrobacia do Rio Iriri destacam-se por suas proje\u00e7\u00f5es significativas de concentra\u00e7\u00e3o de merc\u00fario em peixes. Os resultados podem estar associados \u00e0 maior atividade garimpeira na regi\u00e3o. J\u00e1, o sul da Bacia do Xingu, que inclui as Macrobacias do Rio Ronuro e Nascentes do Xingu, apresenta proje\u00e7\u00f5es expressivas mesmo em cursos h\u00eddricos de menor ordem. Na Macrobacia do Rio Iriri, mesmo as proje\u00e7\u00f5es dos afluentes Curu\u00e1, Carajari e Novo se destacam. As melhores condi\u00e7\u00f5es foram modeladas na Macrobacia do Baixo Xingu, em cursos h\u00eddricos de menor ordem.<\/p>\n\n\n\n<p>As \u00e1reas alagadi\u00e7as est\u00e3o associadas a proje\u00e7\u00f5es elevadas de concentra\u00e7\u00f5es de merc\u00fario em peixes, mesmo em \u00e1reas com presen\u00e7a limitada de garimpos. \u00c9 importante salientar que as nascentes do Rio Xingu, o Alto Xingu e as Bacias do Rio Ronuro e do Rio Sui\u00e1-Mi\u00e7u s\u00e3o repletas de plan\u00edcies de inunda\u00e7\u00e3o de import\u00e2ncia ecol\u00f3gica. Outra regi\u00e3o repleta de \u00e1reas \u00famidas \u00e9 a Volta Grande do Xingu, na Macrobacia do Baixo Xingu, nas redondezas da UHE Belo Monte.&nbsp;<br>Embora a bacia do Xingu apresente uma m\u00e9dia de conformidade com os par\u00e2metros legais, a bacia n\u00e3o est\u00e1 isenta de preocupa\u00e7\u00f5es. Apesar de os resultados m\u00e9dios de concentra\u00e7\u00e3o de merc\u00fario em peixes n\u00e3o ultrapassarem os limites regulat\u00f3rios, as proje\u00e7\u00f5es causam apreens\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo traz v\u00e1rias recomenda\u00e7\u00f5es, dentre elas, a implementa\u00e7\u00e3o de um programa de monitoramento de contamina\u00e7\u00e3o amplo, adaptado \u00e0s condi\u00e7\u00f5es das diferentes sub-regi\u00f5es; o aprimoramento da legisla\u00e7\u00e3o brasileira, substituindo os limites fixos atualmente estabelecidos por par\u00e2metros baseados em an\u00e1lise de risco que considerem o alto consumo de peixe na regi\u00e3o; a cria\u00e7\u00e3o de um sistema padronizado de informa\u00e7\u00f5es e&nbsp; complementa\u00e7\u00e3o das bases de dados existentes, como o Observat\u00f3rio do Merc\u00fario, para apoiar o planejamento governamental e guiar a tomada de decis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Com informa\u00e7\u00f5es do WWF-Brasil<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A partir de uma modelagem que projeta a distribui\u00e7\u00e3o e bioacumula\u00e7\u00e3o de merc\u00fario nos rios, estudiosos apontam que sub-bacias dos rios Tapaj\u00f3s, Xingu, Mucaja\u00ed e Uraricoera, que abrigam territ\u00f3rios ind\u00edgenas sob amea\u00e7a do garimpo ilegal, apresentam um grande risco de contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario acima dos n\u00edveis considerados seguros. As concentra\u00e7\u00f5es de merc\u00fario seriam mais baixas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":123458,"featured_media":2941,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[293,20],"tags":[1030,1025,1027,61,1031],"class_list":["post-2940","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meio-ambiente","category-roraima","tag-afluentes","tag-observatorio-do-mercurio","tag-rios-de-roraima","tag-terra-indigena-yanomami","tag-wwf-brasil-2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amororaima.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2940","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amororaima.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amororaima.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amororaima.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/123458"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amororaima.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2940"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/amororaima.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2940\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2943,"href":"https:\/\/amororaima.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2940\/revisions\/2943"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amororaima.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2941"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amororaima.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2940"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amororaima.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2940"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amororaima.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2940"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}