Um resgate realizado em janeiro de 2025 no município de Caroebe, no sul de Roraima, deu início a um processo que pode resultar na reintrodução de uma onça-pintada ao ambiente natural. Após 14 meses de reabilitação, o animal foi transferido para o Instituto Nex, em Corumbá de Goiás.
Quando foi encontrada por policiais ambientais, a onça tinha pouco mais de um mês de vida e apresentava sinais de desidratação, além de ferimentos, escoriações e infecções por fungos.
O primeiro atendimento ocorreu no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Boa Vista. Na unidade, o animal passou por exames clínicos, como análises de sangue, radiografias e avaliação de parasitas, além de tratamento veterinário. Com a recuperação inicial, a onça foi levada em abril do ano passado para o Cetas de Brasília.
A estrutura da unidade permitiu o avanço da reabilitação, com suporte especializado para grandes felinos. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o animal apresenta atualmente boas condições de saúde.
Durante o período, também foram realizadas atividades de enriquecimento ambiental. Essas ações buscam estimular comportamentos naturais, como caça e exploração do espaço.
O processo incluiu ainda um protocolo específico, conforme explicou o chefe do Cetas de Brasília, Júlio César Montanha. “É a primeira vez que utilizamos esse programa específico para um animal dessa espécie nessa fase da vida”, afirmou.
A evolução comportamental é considerada positiva. “Hoje ela já apresenta comportamento selvagem, caça presas e evita o contato com humanos, o que é essencial para a reintrodução na natureza”, explicou.
Após um ano, o animal ganhou cerca de 40 quilos. No Instituto Nex, a onça passa a viver em um recinto maior, em área de mata e com maior isolamento. A permanência deve durar entre seis e oito meses. A soltura, caso viável, ocorrerá no bioma amazônico.
