Restos mortais em estado de esqueletização foram localizados na tarde de segunda-feira (16) em uma área de mata na Vicinal 02, em Rorainópolis, no sul de Roraima, após indicação feita por um dos investigados pela morte da adolescente Raquel Alexandra Cedeno Suarez, de 17 anos. As informações sobre o caso foram divulgadas nesta terça-feira (17).
A localização ocorreu no mesmo dia em que a Polícia Civil de Roraima prendeu um homem de 28 anos, apontado como um dos principais suspeitos no desaparecimento da jovem. A ação contou com apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Roraima (FICCO/RR).
Raquel estava desaparecida desde 20 de setembro de 2025. O boletim de ocorrência foi registrado pela família no dia 23, após a adolescente não retornar para casa e deixar de manter contato com os familiares.
Desde o registro, a Polícia Civil iniciou diligências para reconstruir os últimos passos da jovem. Familiares, amigos e pessoas próximas foram ouvidos. Um ex-namorado foi identificado e prestou depoimento, mas acabou descartado como suspeito após análise dos elementos reunidos.
Durante a investigação, imagens de câmeras de monitoramento mostraram Raquel caminhando, na madrugada de 21 de setembro, acompanhada de dois homens em direção à Vicinal 02. Naquele momento, os indivíduos ainda não estavam formalmente identificados.
Com o aprofundamento das apurações, os dois foram identificados como venezuelanos, de 21 e 28 anos. Dias após o desaparecimento, ambos deixaram suas residências em Rorainópolis e fugiram do município. Posteriormente, atravessaram a fronteira para a Guiana.
Diante dos indícios reunidos, o delegado Rick da Silva e Silva representou pela prisão temporária dos investigados.
“Foram realizadas inúmeras diligências para localizá-los, inclusive monitoramento de endereço ligado à esposa de um dos investigados. As investigações apontavam que eles haviam fugido para a Guiana, onde um deles estaria trabalhando em uma construção”, detalhou o delegado.
Recentemente, a investigação apontou que o suspeito de 28 anos havia retornado ao Brasil e estaria em Boa Vista. As equipes passaram a monitorar uma residência no bairro Asa Branca, na zona oeste da capital. Após confirmação da presença dele no local, os policiais cumpriram o mandado de prisão temporária.
O investigado foi conduzido ao Plantão Central I. O interrogatório ocorreu por videoconferência.
Durante o depoimento, ele afirmou que, na noite do desaparecimento, a adolescente teria demonstrado interesse no comparsa. Segundo sua versão, os dois entraram em um quarto da residência localizada na Vicinal 02, enquanto ele permaneceu do lado de fora.
Cerca de 20 minutos depois, ainda conforme o relato, o outro investigado saiu do cômodo afirmando que havia feito “algo grave” e que a jovem estava morta, pedindo ajuda para “resolver a situação”.
De acordo com a declaração, os dois decidiram ocultar o corpo para evitar que o crime fosse descoberto. Ainda durante a madrugada, retiraram a adolescente da residência e passaram a carregá-la pela Vicinal 02 até uma área de mata próxima à casa do segundo suspeito, onde o corpo foi abandonado.
Durante a videoconferência, o jovem indicou o ponto exato onde o corpo foi deixado. Com base nas informações prestadas, equipes policiais se deslocaram até o local e, por volta das 17h de segunda-feira, localizaram restos mortais em estado de esqueletização.
O Instituto de Criminalística e o Instituto de Medicina Legal (IML), do Núcleo de Perícia Forense Regional Sul, foram acionados para realizar os procedimentos no local e remover o material para exames complementares que irão confirmar oficialmente a identidade.
Segundo o delegado, a versão apresentada pelo investigado será confrontada com os laudos periciais e demais elementos técnicos reunidos durante a investigação.
O suspeito foi apresentado em audiência de custódia na manhã desta terça-feira, em Boa Vista. As diligências continuam para localizar o segundo investigado, que segue foragido.
“Até o momento, não sabemos ainda o que motivou o assassinato da adolescente. Pode ter ocorrido uma eventual frustração, conflito ou resistência da vítima no interior do quarto com possível conotação sexual. No entanto, seguiremos as diligências até a captura do foragido e a completa responsabilização penal de todos os envolvidos. Trata-se de um crime grave e a Polícia Civil não medirá esforços para concluir totalmente esse caso”, concluiu o delegado.
