O governo federal iniciou nesta segunda-feira (2) a implantação de unidades demonstrativas de soberania alimentar na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, com foco em recuperar áreas degradadas pelo garimpo ilegal e garantir acesso a alimentos saudáveis.

A primeira unidade será instalada na Comunidade Sikamabiu, no Baixo Mucajaí, onde vivem cerca de 30 famílias, somando quase 400 indígenas. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) informou que a iniciativa faz parte de um conjunto de oito unidades que devem ser distribuídas pelo território ainda este ano.

A estrutura inclui aviário com cem galinhas rústicas, viveiro de mudas nativas com capacidade para duas mil plantas, tanque de compostagem, roças de mandioca, batata e arroz, Sistemas Agroflorestais (SAFs) e tanque de piscicultura com 440 m². Os SAFs devem ser usados para restaurar cicatrizes abertas pelo garimpo, multiplicar sementes tradicionais e cultivar espécies nativas.

A pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Roraima Rosemary Vilaça, que coordena o projeto, afirmou que a ação representa um marco no território.

“Onde já corremos o risco de levar tiro de garimpeiro, levamos estrutura e ferramentas para a conquista da soberania alimentar”, disse.

A Embrapa informou que ao menos outras 11 comunidades já demonstraram interesse em receber as unidades. A Terra Indígena Yanomami tem 9,6 milhões de hectares e é a maior do país, com cerca de 31 mil indígenas.

Dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) apontam que, entre março de 2024 e janeiro de 2026, o garimpo ativo na TI Yanomami foi reduzido em 98,77%, de 4.570 hectares para 56,13 hectares.

Com informações do Correio Braziliense