A apreensão de cargas milionárias de ouro ilegal em Roraima ao longo de 2024 e 2025 levou investigadores a identificar uma mudança significativa no fluxo do metal clandestino no Brasil. Segundo a Polícia Federal, o endurecimento da fiscalização e de regras sobre a comercialização do ouro empurrou o contrabando para rotas de fronteira, com o estado assumindo papel estratégico nesse novo caminho.

Autoridades apontam que a mudança na rota do ouro clandestino está diretamente ligada ao endurecimento das regras e da fiscalização sobre o setor nos últimos anos.

Segundo a delegada Milena Coutinho, chefe do setor de repressão aos crimes contra recursos minerais da Polícia Federal, três fatores foram decisivos. O primeiro foi a intensificação das ações de combate ao garimpo ilegal, especialmente após a crise humanitária na Terra Indígena Yanomami, a partir de 2023.

O segundo fator foi a obrigatoriedade do uso de nota fiscal eletrônica nas transações envolvendo ouro de garimpo, determinada pela Receita Federal. A medida dificultou o uso de documentos em papel, que facilitavam fraudes.

A terceira mudança foi o fim da presunção de boa-fé nas transações com ouro, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Antes, bastava ao vendedor indicar uma lavra autorizada como origem do metal para que a transação fosse considerada regular.

“Com essas duas medidas, ficou muito mais difícil lavar ouro no Brasil”, afirmou a diretora de pesquisas do Instituto Escolhas, Larissa Rodrigues.

Com informações da BBC News Brasil